Há cerca de 2 meses recebi meu “cartão digital” no consulado da Estônia em Londres, me tornando um “cidadão digital” da Estônia.

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Mas o que é ser um “e-resident” da Estônia? Para entender um pouco mais sobre esse programa é necessário comentar um pouco de história: a Estônia é um dos três países bálticos, membro da União Européia e se localiza na fronteira com a Rússia. Durante a “cortina de ferro”, a Estônia era um dos países que faziam parte da União Soviética, com o controle centralizado de Moscou.

Nos eventos da queda do Muro de Berlim e dissolução da União Soviética, os países bálticos (Lituânia, Letônia e Estônia) foram dos primeiros a declarar sua independência. Estônia a essa altura era um país extremamente pobre e com poucas opções para o seu crescimento.

Foi nesse ambiente de mudanças e incertezas que a Estônia resolveu adotar medidas radicais que pudessem apoiar a mudança de paradigma necessário para o seu crescimento: duas das principais medidas adotadas foi a adoção de uma política econômica bastante “liberal” (muito perto do que Milton Friedman advogava) e a outra foi entender que Estônia necessitava adotar extensivamente a tecnologia para tornar-se uma economia competitiva.

O resultado, nos dias de hoje, é que a Estônia é um dos países da Europa mais atrativos para as “startups”, tendo atraído centros de desenvolvimento de empresas como o Skype. Na Estônia é possível acessar internet gratuitamente em boa parte dos pontos urbanos e os cidadãos estonianos interagem com o governo quase que integralmente através de portais.

Com essa plataforma desenvolvida, Estônia resolveu expandir alguns destes serviços e abrir a possibilidade do uso dessa tecnologia que já é consolidada com os estonianos para cidadãos do mundo todo. Foi daí que surgiu o programa de e-residente. Através desse programa, qualquer cidadão do mundo pode registrar-se e, se aprovado, receber a cidadania digital da Estônia que permite, entre outras coisas, fazer completamente online o processo de abertura de uma empresa na Estônia (ou seja, dentro da União Européia) – por enquanto ainda é necessário estabelecer um endereço físico, mesmo que seja um ” escritório virtual ” (como os da Regus), assinar documentos digitalmente, dentre outros serviços acessíveis todos através do portal para cidadãos.

Na prática, em minha opiniã, o programa a essa altura é extrememente interessante e atrativo para cidadãos de qualquer país que queiram por exemplo estabelecer uma empresa para comercializar no mercado europeu ou com outros países de forma descomplicada, podendo administrar os aspectos burocráticos da empresa e fiscais completamente online.

Mais informações sobre o programa, bem como os formulários para aplicar para a cidadania podem ser acessados em:

https://e-estonia.com/e-residents/about/

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